10 Livros que Mudaram Minha Forma de Viver neste Ano.
- John

- há 1 dia
- 6 min de leitura
Uma jornada literária por obras que nos ensinam a viver com mais lucidez, propósito e humanidade.
Olá, tudo bem com você? Espero que sim.
Um novo ano se iniciou, mas as marcas que ele deixa em nós são feitas, muitas vezes, pelas páginas que viramos. Para mim, este foi e será para você um ano de leituras profundas, livros que não foram apenas passatempos, mas verdadeiros companheiros de jornada. Eles contribuíram imensamente para os temas que discutimos aqui, ligados à existência humana, à busca por lucidez e à compreensão de nós mesmos neste mundo tão acelerado.
Hoje, quero compartilhar essa pequena coleção de favoritos com você. Mais do que uma simples lista de indicações, este é um convite para que você também possa encontrar nessas obras a centelha de uma reflexão capaz de mudar a forma como vemos a vida. Afinal, os livros só são verdadeiramente importantes quando nos enriquecem por dentro e transformam, nem que seja um pouquinho, a nossa maneira de estar no mundo.
Se você chegou agora e se interessa por esses temas, sinta-se em casa. Se já é um amigo da casa, vamos juntos nessa viagem por dez obras que me fizeram pensar e repensar.
O primeiro bloco de leituras nos convida a uma pausa urgente: será que estamos apenas existindo ou realmente vivendo? Estas três obras são um farol sobre a brevidade e a beleza da vida.
Um livrinho curtinho, mas de uma profundidade abissal. Escrito há quase dois mil anos, Sêneca, um dos grandes nomes do estoicismo, nos confronta com uma verdade incômoda: a vida não é curta, somos nós que a desperdiçamos. Ele nos leva a perceber o quanto de nossos dias são consumidos por obrigações vazias, prioridades equivocadas e uma existência meramente automática. A obra é um chamado para valorizar o tempo presente, a amizade, a leitura e as coisas simples, que são, na verdade, as mais ricas.
Com a maestria típica dos grandes escritores russos, Tolstói nos apresenta Ivan Ilitch, um burocrata comum que passa a vida subindo na escala social, buscando reconhecimento e futilidades. É apenas ao ser confrontado com uma doença incurável e a proximidade da morte que ele experimenta uma lucidez avassaladora. Ao ver sua vida se desfazer, Ivan percebe que nunca viveu de verdade.
Mas a reflexão vai além: Tolstói nos mostra como damos importância desmedida a coisas efêmeras e externas a nós. Ele expõe como somos profundamente influenciados e sufocados por questões sociais, sentimentos mesquinhos, orgulho e status. No final das contas, quando o tempo se esgota, essas coisas se revelam fulgazes e passageiras. O livro é um soco no estômago e um convite para questionarmos: o que estamos priorizando hoje que, no leito de morte, descobriremos que não tinha valor algum?
Thoreau é um daqueles pensadores fascinantes justamente por unir, de forma indissociável, a reflexão sobre a vida interior com a crítica política mais contundente. No século XIX, em Massachusetts, ele não era apenas um crítico da crescente industrialização e da vida urbana superficial; era também uma voz ativa contra a escravidão e um libertário "avant la lettre", desconfiado do poder do Estado sobre a liberdade do indivíduo .
Sua decisão de abandonar a cidade e ir viver só, em uma cabana construída por suas próprias mãos às margens do lago Walden, foi um ato profundamente político. "Fui para os bosques porque queria sugar a essência da vida", escreve ele. "Queria viver deliberadamente, para não chegar ao final da minha vida e descobrir que não vivi" . Mas por que ele precisou fazer isso? Porque se recusava a sustentar um governo que considerava moralmente corrupto.
Em 1846, Thoreau foi preso por não pagar o imposto à igreja local — um episódio que o levou a escrever manifestos fundamentais sobre como as leis podem ser injustas quando desprovidas de uma finalidade de bem comum . No famoso ensaio "A Desobediência Civil", ele questiona: "Existem leis injustas; devemos submeter-nos a elas e cumpri-las, ou devemos tentar emendá-las e obedecer a elas até a sua reforma, ou devemos transgredi-las imediatamente?" .
Em "Walden", portanto, ele nos narra a sua experiência de retirar os excessos da vida moderna para descobrir que a essência da vida está nas coisas simples e que precisamos de muito menos do que a sociedade de consumo nos faz acreditar. O livro é um convite para simplificar a existência, mas também para entender que essa simplificação é uma forma de resistir a um sistema que nos quer como meros "mensageiros da injustiça" . Sua ideia de viver deliberadamente é, acima de tudo, um exercício de liberdade e consciência.
E quando o mundo exterior desaba, o que nos resta? Estes livros tratam da força que podemos encontrar dentro de nós mesmos.
Epicteto foi um escravo, e talvez por isso sua sabedoria seja tão poderosa. Seus ensinamentos, compilados por um aluno, focam em uma ideia central: a liberdade é inabalável quando aprendemos a focar apenas no que está sob nosso controle. Não podemos controlar o mundo exterior, as opiniões alheias ou o destino, mas podemos controlar nossos julgamentos, desejos e atitudes. É um guia prático e atemporal para não nos deixarmos perturbar pelo que não podemos mudar.
Esta é uma leitura obrigatória para a humanidade. Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente dos campos de concentração nazistas, desenvolveu a Logoterapia a partir de sua experiência no horror. No livro, ele mostra que, mesmo em condições desumanas, o que mantém uma pessoa viva é a capacidade de encontrar um sentido para a sua existência. Esse sentido pode estar no amor, na lembrança de um ente querido, na contemplação da natureza ou até no humor. Frankl nos prova que, mesmo quando tudo é tirado de nós, sempre nos resta a liberdade de escolher nossa atitude diante do sofrimento.
Saindo um pouco do campo da filosofia, entramos na literatura fantástica, mas com a mesma potência reflexiva. "Piranesi" narra a história de um homem que vive em uma casa gigantesca, labiríntica, que ele acredita ser o universo. Esta casa pode ser lida como uma metáfora para o nosso próprio universo interior: vasto, imensurável e cheio de belezas e mistérios a serem descobertos. Uma leitura que nos faz pensar sobre a grandiosidade que habita dentro de cada um de nós.
Como viver com lucidez em uma sociedade que nos adoece? Essas leituras dissecam o mal-estar da contemporaneidade.
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han analisa a sociedade atual não como uma "sociedade disciplinar", mas como uma "sociedade de desempenho". Deixamos de ser sujeitos "obedientes" para nos tornarmos empreendedores de nós mesmos, numa busca incessante por performance e otimização. Essa pressão constante, essa competição interna e externa, nos leva ao esgotamento físico e mental, transformando-nos em uma sociedade doente, ansiosa e depressiva. Um livro curto, mas essencial para entender o cansaço que sentimos.
Vivemos em uma era de prazeres fáceis e rápidos. A psiquiatra Anna Lembke explica, de forma humana e acessível, o delicado equilíbrio entre prazer e dor em nosso cérebro. Ao buscarmos descargas constantes de dopamina — seja em redes sociais, jogos ou outras substâncias —, criamos um ciclo vicioso que nos aprisiona. Usando casos reais de seus pacientes, ela mostra como essa busca frenética por prazer momentâneo tem gerado sofrimento e dependência, nos afastando de uma felicidade mais autêntica e duradoura.
Para finalizar, dois livros que dialogam entre si e nos convidam a refletir sobre a nossa própria natureza: afinal, o ser humano é bom ou mal por essência?
Um clássico da literatura. Num contexto de guerra, um grupo de crianças inglesas, bem-educadas e "inocentes", cai numa ilha deserta, longe de qualquer regra ou supervisão de adultos. O que acontece com elas? Golding constrói uma narrativa brutal sobre o que ele acreditava ser a verdadeira natureza humana: egoísta, competitiva e predatória. O livro nos força a olhar para dentro e questionar: que "ervas daninhas" existem em mim e precisam ser constantemente cuidadas?
E se a história contada por Golding não for a verdadeira? Esta é a tese de Rutger Bregman. Baseando-se em exemplos reais — como o de jovens que naufragaram e, ao contrário do romance, cooperaram e criaram laços de amizade profundos —, ele defende que o ser humano é, em sua essência, bom, altruísta e cooperativo. A maldade, segundo ele, é a exceção, mas é a única que ganha manchetes. Uma leitura revigorante que nos convida a olhar para o outro e para nós mesmos com mais esperança.
Essas são as dez obras que iluminaram meu caminho em 2025. Espero que elas possam, de alguma forma, tocar você também. Ler é um ato profundamente pessoal, mas a beleza está justamente em compartilhar as reflexões que nascem dessas jornadas solitárias.
E você? Já leu algum desses livros? O que acrescentaria a esta lista? Deixe suas dicas e pensamentos nos comentários. Vamos construir juntos essa teia de conhecimento e humanidade.
Uma ótima leitura e um excelente ano de 2026 para nós!











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