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Como Ser no Mundo sem Sofrimento: O Guia de Mooji para a Liberdade

Atualizado: 16 de dez. de 2025

Você já sentiu isso? Aquele cansaço sutil, mas profundo, de estar sempre buscando? Lendo mais um livro, testando mais uma técnica, planejando mais um retiro. A promessa é sempre a mesma: paz, propósito e felicidade. Algo lá fora que, uma vez conquistado, fará tudo se encaixar.


E por um tempo, funciona. Você sente um pico, uma clareza. Até que não sente mais. A mente se adapta. A antiga inquietação volta. E você se pega olhando para a prateleira, pensando: qual será o próximo livro? Isso é o maior sinal da fadiga espiritual. O esgotamento da busca.


E se o problema não for o quanto você busca, mas o lugar de onde você busca? E se o que você procura não for algo a ser adicionado – mais conhecimento, mais experiência – mas algo a ser reconhecido? Algo que já está aqui. Agora. Antes mesmo da primeira palavra deste parágrafo.


Mooji não é um guru no sentido tradicional. Não tem um sistema de dez passos. Não vai te dar mais conteúdo para sua mente já abarrotada. Na verdade, seu trabalho é quase o oposto. Pense nele como um porta-voz do óbvio. Sua função é apontar, com uma paciência infinita, para o espaço onde todos os seus problemas, todas as suas buscas, todas as suas identidades aparecem. E desaparecem.


Ele aponta como não pensar para descobrir quem você é antes do primeiro pensamento. É a diferença entre passar a vida rearranjando os móveis em uma sala escura, tentando encontrar a combinação perfeita, e simplesmente encontrar o interruptor. A luz se acende, e de repente você vê: a sala sempre esteve em ordem. Os móveis nunca foram o problema. A escuridão era.


Em termos mais simples, essa fadiga, este esgotamento da alma seria como o esgotamento do buscador que está apegado ao esforço e à identidade de "alguém que procura". É a exaustão da mente-ego em sua incessante tentativa de alcançar um estado, conhecimento ou iluminação. O ego, por sua natureza, só sabe fazer e esforçar-se, vendo a Verdade como algo distante a ser adquirido. A fadiga surge quando esse esforço contínuo não produz o resultado duradouro esperado de paz e liberdade.

Representa um reconhecimento implícito de que a busca externa ou baseada no esforço pessoal é fútil ou, pelo menos, incompleta. É o momento em que a força de vontade do "eu pessoal" se esgota na trilha espiritual.

A sabedoria de Mooji sugere que essa fadiga é, na verdade, um presente, pois a exaustão do esforço é o que abre a porta para o Não-esforço (o Sahaja Samadhi ou Estado Natural).


Mooji aponta que a fadiga espiritual só pode ser resolvida pelo "Aquietar-se" e pelo reconhecimento da sua Verdadeira Natureza. O cansaço profundo da mente em "estar sempre ocupada" (mesmo em atividades espirituais, como ler, fazer rituais ou meditações com esforço) força o indivíduo a parar. Essa paragem permite, pela primeira vez, o descanso no Ser (a Consciência Pura), que já é inerente e sempre presente.


A fadiga surge da crença de que a Verdade é misteriosa, difícil ou algo a ser conquistado (como se lê no primeiro trecho: “A Verdade é tão misteriosa…” é bobagem. Você é a Verdade, é muito simples.). A fadiga é o esgotamento das complexidades e ilusões do caminho. Quando o buscador está cansado demais para continuar a procurar, ele é forçado a soltar a identidade do buscador e o esforço. Este abandono é, ironicamente, o que permite que a Graça e o Reconhecimento do Ser aconteçam por si mesmos. A fadiga leva à entrega, e a entrega leva à liberdade.

Deixe Tudo Fora

O Primeiro Despojamento: A Mente como Visitante, não como Dono


É por isso que o primeiro, e mais desconcertante, convite de Mooji é esse: "Ao entrar, por favor, deixe sua mente de fora."


Pare um momento e sinta o impacto absurdo dessa frase. Deixar a mente de fora? Como? Ela é o instrumento com o qual navegamos o mundo. É a nossa ferramenta mais preciosa. É como pedir a um peixe para deixar a água de fora.


Mas é exatamente esse o ponto. Nós não somos a ferramenta. Somos quem a usa. A confusão começa quando nos identificamos com o único instrumento que conhecemos, e esquecemos a mão que o segura.

Pense em sua mente como um projetor de cinema. Dia e noite, ele lança na tela um filme ininterrupto: seus pensamentos, suas memórias, seus planos, seus dramas. O filme é tão convincente, tão rico em detalhes e emoções, que você se esquece completamente de que está sentado na poltrona. Você se funde com o herói, sofre com a tragédia, anseia pelo final feliz. Você se torna o filme.


Mooji aponta suavemente: você não é o filme. Você é a tela. A tela branca, imóvel e silenciosa sobre a qual todas as imagens – felizes, tristes, assustadoras – brilham por um tempo e depois se desvanecem. A tela não é afetada pelo drama. Não fica marcada pelo romance nem rasgada pela violência. Ela simplesmente permite a projeção. Ela é o espaço necessário para que qualquer história exista.


Faça isso agora. Pare por apenas dez segundos. Não para pensar, mas para ouvir. Deixe os olhos repousarem. E simplesmente ouça. Ouça os sons ao redor. O zumbido distante, o ruído da rua, o silêncio mesmo. Perceba: há um ouvindo acontecendo. O som chega, é registrado, e se vai. Mas quem é esse "ouvinte"? Não é um pensamento que diz "estou ouvindo". Esse pensamento, por sua vez, também pode ser ouvido. Então, quem ouve até mesmo o pensamento sobre ouvir?

Você está sentindo essa pausa? Esse pequeno hiato entre os ruídos da mente? Esse é o primeiro vislumbre de deixar a mente "do lado de fora". Não como uma rejeição violenta, mas como um simples dar um passo para trás na poltrona e lembrar: ah, sim. Eu não sou o filme. Eu sou aquele para quem o filme é mostrado. E essa percepção, por mais fugaz que seja, muda tudo.


O Segundo ponto: A Bagagem da Identidade Pessoal e O Falso Conforto do Passado e do Futuro


Mas o filme é insistente. Ele não é composto apenas de pensamentos soltos; ele tem um roteiro central, um personagem principal: você. Seu nome. Sua história. Seus traumas e triunfos. Sua profissão, seus títulos, os papéis que desempenha – pai, mãe, filho, chefe, amigo. É uma bagagem pesada e intricada, que carregamos como uma identidade. Achamos que somos a bagagem.

Mooji pede para deixar isso do lado de porta também. Todo o pacote do "quem você acredita ser". Isso soa como uma aniquilação. Se eu não sou essa pessoa, quem sobrou? É um convite ao vazio, e o ego se contorce de medo.


Não é um conceito novo. Marco Aurélio, o imperador-filósofo, passava noites em suas campanhas escrevendo lembretes a si mesmo em seu diário. Em um deles, ele se referia ao próprio corpo como "um cadáver carregado por uma alma". Era uma forma radical de relativizar a identidade corporal, de lembrar-se de que o verdadeiro "eu" não era a carne que envelhecia, nem o título de imperador que vestia, mas a consciência que testemunhava ambas as coisas. Ele tentava, à sua maneira, deixar a bagagem no chão.


É assustador? Sem dúvida. Parece que você vai desaparecer. Mas Mooji oferece uma garantia crucial, um alívio que permite a coragem para seguir: tudo isso – sua história, seus papéis, sua personalidade – estará esperando por você pacientemente do lado de fora, exatamente como você os deixou, caso decida voltar a usá-los. Você não os perde. Você apenas experimenta, talvez pela primeira vez, o que é viver sem carregá-los nos ombros a cada instante.

E há mais dois pesos pesados para deixar no cabide: o passado e o futuro. A mente adora se refugiar nesses dois territórios fantasmas. No passado, ela remói o que foi feito, as culpas, as glórias perdidas. No futuro, ela se enche de ansiedade, planejamento e esperança. Ambos são ilusões no que diz respeito à experiência direta. Você nunca encontra o "passado"; só encontra uma memória no presente. Você nunca experimenta o "futuro"; só experimenta um pensamento sobre ele, agora.


O estóico Sêneca já ensinava sobre essa percepção quando escreveu: "O presente é a única coisa que possuímos, e mesmo essa nos escapa." A mente, no entanto, insiste em morar em dois lugares que não existem, e nesse processo, perde o único que existe: este instante.


Então, deixe-os. Deixe o fardo do que foi e o peso do que pode ser. Não é sobre negligência ou irresponsabilidade. É sobre perceber que a vida só acontece no ponto de encontro entre o eterno e o agora. E para encontrar esse ponto, você precisa das mãos vazias.



E assim, passo a passo, você faz o despojamento. Primeiro a mente tagarela, depois a identidade pessoal, depois as âncoras do tempo. O que sobra?


Uma estranha leveza. Um silêncio que não é vazio, mas plenitude. Você está, agora, no vestíbulo. Vazio. Zero. Sem história, sem projeto, sem nome. É um lugar desconhecido, mas estranhamente familiar. É o pré-requisito. Você está pronto. A porta para a sala principal está diante de você. E ela não está trancada. Ela nunca esteve.

Dentro da Sala - O Reconhecimento do Que Sempre Foi.

A descoberta do “não fazer”.


Aqui está o grande paradoxo, o ponto onde a maioria tropeça. Você cruzou o vestíbulo vazio, entrou na sala... e agora? O que se faz?


A mente, condicionada por milênios de busca, entra em pânico. Ela espera uma tarefa. Um mantra para repetir, uma visualização para sustentar, um estado para alcançar. Ela se agita, procurando o próximo passo no vazio que a recebe.


Mooji oferece a instrução mais desconcertante e libertadora: Não faça nada.


Não é uma sugestão de preguiça. É um preciso apontamento da verdade. Para encontrar o que você realmente é, você precisa parar de tentar ser qualquer coisa. Todo esforço, por mais sutil que seja, é um movimento do ego, da onda tentando se definir como algo separado do oceano.


Pense na onda no mar. Ela se esforça. Quer ser a mais alta, a mais bonita, a mais duradoura. Luta contra outras ondas, teme se quebrar na costa, anseia por reconhecimento. Vive em um estado de tensão e realização. Até que, em um momento de quietude, ela olha para baixo e percebe: sua substância, seu corpo, seu ser, não é algo separado. É água. A mesma água que forma o oceano inteiro, infinito e profundo, à sua volta e dentro dela. Ela é o oceano, expressando-se temporariamente como uma forma chamada "onda".

O reconhecimento não é um feito. Não requer esforço. Requer apenas a cessação do esforço de se manter separada. É um relaxamento na verdade do que já se é.


Isso não é passividade. É o repouso mais ativo que existe. É a ação da não-ação. É como quando você para de cavar freneticamente no chão, levanta os olhos e percebe que o tesouro que procurava não estava enterrado, mas sempre esteve ao seu redor, sob a luz do sol. Parar de cavar é o ato mais inteligente e crucial. É o "não-fazer" que revela o "já é".


Na sala do Ser, você não precisa criar, alcançar ou se tornar. Você só precisa não fugir. Não fugir para o pensamento, para o passado, para o projeto de ser alguém. É um simples descansar no que já está presente, antes de qualquer movimento. E nesse descanso, algo começa a se revelar por si mesmo. Não como uma experiência espetacular, mas como a quietude mais comum e óbvia que você já conheceu – e que, de tão próxima, sempre ignorou.


Para explicar melhor vamos ilustrar com o exemplo do "Guarda-Chuva na Chuva":


Imagine que você está no meio de uma forte chuva e, desesperado para não se molhar, começa a correr em busca de um abrigo. Você corre freneticamente, com grande esforço, por vários quarteirões. Esse esforço frenético é análogo à mente do buscador que tenta "fazer" algo (meditar com esforço, ler incessantemente, visualizar) para alcançar a Iluminação. No meio da corrida, exausto, você para. Você levanta os olhos e percebe que sempre esteve segurando um guarda-chuva aberto. O "não-fazer" é esse momento de parar de correr e simplesmente relaxar sob o guarda-chuva (que representa o Ser, a Consciência, que sempre esteve lá, protegendo-o). O ato de parar de correr (o abandono do esforço do ego) não cria o abrigo, mas revela a proteção e o descanso que já estavam presentes e disponíveis o tempo todo, mas que eram ofuscados pela atividade e pelo pânico de "ter que encontrar".

Outro ponto é O Ser Através dos "Não-É”.


Então, como você conhece esse "oceano" que você é? Não através de mais conceitos, mas através de uma investigação simples, direta. Mooji usa perguntas como bisturis, não para obter respostas da mente, mas para cortar a identificação e revelar o substrato. É o que os sábios chamam de Vicāra – a investigação do "Quem sou eu?".


Ele não te diz o que o Ser é. Isso seria outra ideia, outro móvel na sala. Em vez disso, ele te guia a descobrir o que o Ser não é. Pergunta por pergunta, você desmonta a casa de cartas da identidade falsa.


Por exemplo: O Ser pode ficar deprimido?


Pare. Sinta. Se um sentimento pesado de tristeza surgir, algo está ciente desse peso. Algo o testemunha, o sente, o registra. Esse "algo" é você – o testemunha. A depressão pode vir como uma tempestade escura, mas você é o céu que a contém. A tempestade eventualmente passa. O céu permanece, intocado, mesmo quando coberto de nuvens. Você, como consciência, é assim. A tristeza vem e vai. Você, como testemunha, permanece. Portanto, o Ser não é a depressão. Ele é o espaço onde a depressão é percebida.


E assim a investigação continua, suave e implacável:


O Ser é um objeto? Pode ser fotografado? Não. Você é a Consciência que percebe a fotografia.


Pode pertencer a uma religião ou filosofia? Não. Você é o espaço anterior a qualquer crença.

Pode ficar doente? O corpo pode adoecer, mas o que é consciente da doença está são.


Pode morrer? Tudo o que você já viu morrer – pensamentos, emoções, até o corpo – foi visto por você. O que vê a morte não pode estar sujeito a ela.


Cada pergunta não é um quebra-cabeça para a mente resolver. É um convite para você sentir a resposta a partir de um lugar mais profundo do que o pensamento. É um apontar para o óbvio.


E desse reconhecimento, nasce uma linguagem que não descreve, mas aponta poeticamente: você é o silêncio dentro do som. O espaço ao redor da forma. A paz sob a agitação. Você não é a coisa observada, mas a qualidade de presença que torna a observação possível. Você é o testemunho vivo, impessoal e amoroso, no qual o drama pessoal de ser "alguém" acontece. E esse testemunho, quando reconhecido, é liberdade.

A Armadilha da "Experiência Espiritual"


E aqui surge a armadilha mais sutil, o golpe final da mente que se vê derrotada. Ela é uma alquimista perversa, capaz de transformar até a liberdade em uma nova prisão.


Após um vislumbre de quietude, após um momento de reconhecimento onde o ruído interior cessa, a mente pode voltar sussurrando: "Uau! Isso é o que estavam falando. Finalmente! Que experiência incrível. Preciso ter isso de novo. Como faço para reproduzir isso? Foi mais forte na meditação da manhã? Será que se eu ler mais...?"


E, sem que você perceba, o Ser – que é sua natureza atemporal e não-experiencial – foi reduzido a mais um evento no tempo. Tornou-se um pico de montanha, um estado especial de consciência a ser conquistado, recapturado e mantido. A busca, que parecia ter terminado, recomeça de forma mais sutil e espiritualizada. Você começa a caçar sua própria sombra.

É por isso que Mooji é tão enfático e repetitivo. Ele precisa ser. O ego é um sobrevivente nato. Ele se agarra à "experiência da iluminação" com a mesma voracidade com que se agarrava ao sofrimento. Ambos dão a ele uma sensação de realidade, de ser "alguém" que tem algo – mesmo que esse algo seja um estado divino.


Aqui está a verdade que desarma essa armadilha: O Ser não é um pico de montanha a ser conquistado. É o chão sob seus pés que você nunca notou porque estava sempre olhando para o horizonte.


Você não está buscando uma experiência extraordinária. Você está sendo convidado a perceber o extraordinário no absolutamente comum. No simples fato de estar consciente. O pico da montanha é passageiro, depende do clima, do seu fôlego. O chão está sempre aqui, sustentando cada passo, seja você um iniciante no sopé ou um alpinista exausto no cume. Você não precisa escalar até ele. Você já está nele. Parar de olhar freneticamente para o horizonte e sentir, finalmente, o apoio sólido sob os pés – esse é o único "fazer" necessário. E ele consiste em parar de fazer tudo o mais.

Saindo da Sala (Ou Não) - A Vida no Reconhecimento


A Reação do Ego: A "Ressaca Espiritual".


Então você teve um momento. Um instante de clareza absoluta, onde tudo fez sentido e o peso do mundo simplesmente se dissolveu. Você sentiu que "entendeu". E então… a vida continua. Você precisa trabalhar, pagar contas, lidar com pessoas difíceis. E no meio do trânsito, uma onda de impaciência sobe. Ou no silêncio da noite, a velha ansiedade volta a sussurrar. A mente, com uma voz carregada de cinismo, diz: "Viu? Tudo aquilo era só imaginação. Você é a mesma pessoa de sempre. Nada mudou."


Bem-vindo à ressaca espiritual. É tão comum quanto ignorada.

É crucial entender: isso não é um fracasso. É uma reação natural. Por décadas, talvez uma vida inteira, você fortaleceu o "músculo" da identificação pessoal. Toda vez que você pensou "estou com raiva", "isso é injusto comigo", "eu preciso daquilo", você estava levantando peso no ginásio do ego. Esse músculo é forte, hipertrofiado.


O "músculo" da atenção impessoal, da testemunha, por outro lado, está atrofiado. Você quase nunca o usa. Quando, em um momento de insight, você tenta usá-lo – ao perceber "há raiva surgindo" em vez de "estou com raiva" – é desconfortável. É como tentar escrever com a mão não-dominante. O gesto é estranho, desajeitado, e a mão dominante quer urgentemente retomar o controle.


Veja exemplos cotidianos: você está numa discussão e, por um microssegundo, se vê falando, ouvindo a própria voz como se fosse de outra pessoa. É estranho. Imediatamente, o hábito te puxa de volta para dentro do drama: "Ele não pode falar assim COMIGO!" Você checa o celular por puro tédio, rolando a tela sem ver nada, e de repente percebe o gesto automático. No mesmo instante, uma voz interna justifica: "Mas eu estou esperando uma mensagem importante!" Essa é a mente retomando o comando, assustada com a brecha de consciência impessoal.


Portanto, quando a dúvida, o tédio ou a velha ansiedade voltam com força redobrada, não entre em pânico. Não significa que você perdeu o caminho ou que o reconhecimento era falso. Significa exatamente o oposto.

Pense nisso: se você fosse um ditador ilusório governando um país pacífico e ninguém jamais questionasse seu governo, você estaria seguro. Mas se de repente surgisse um amplo movimento de liberdade, um clamor pelo real, qual seria sua reação? Você lançaria toda a sua propaganda, mobilizaria a polícia secreta, criaria crises para justificar seu poder. Faria mais barulho do que nunca.


Sua mente é esse ditador. O silêncio do Ser é o movimento de liberdade. Se a mente está gritando mais alto, criando dúvidas mais intensas, ataques de tédio ou autossabotagem repentina, é porque seu reinado de ilusão está seriamente ameaçado. O "ataque" é, na verdade, o melhor sinal de que você está no caminho certo. É o último suspiro de um padrão que sabe que seus dias estão contados. Reconhecer o ataque como sinal de progresso é a chave para não ser engolfado por ele.


A Arte da Reidentificação Consciente


Então, como viver? Você não vai morar para sempre naquele vestíbulo vazio. A vida chama. As responsabilidades, os relacionamentos, os prazeres e as dores do mundo continuam. A arte não é de evitar a vida, mas de aprender a dançar com ela sem se perder novamente no sonho de ser um personagem separado, frágil e em conflito.


Aqui está uma ferramenta simples, que você pode usar no meio do caos, sem que ninguém perceba. Chame-a de Check-in do Ser.


Várias vezes ao dia – quando o despertador toca, antes de abrir um e-mail, enquanto espera o elevador, ao lavar uma xícara – faça uma pausa micro. E faça a si mesmo a pergunta mais importante, não com a mente, mas com a atenção: "Quem está consciente deste momento?"

Não busque uma resposta verbal. "Eu, João." Isso é outro pensamento. Em vez disso, sinta. Sinta o espaço de consciência por trás da pergunta. Sinta a quietude que está antes do "João" e de todas as suas histórias. É como dar um passo para trás dentro de si mesmo. É um toque, um lembrete suave: "Ah, sim. Eu sou isto. A consciência na qual este momento – o som do trânsito, a tensão no ombro, a luz na tela – está aparecendo."


Isso não é uma técnica para alcançar um estado. É um reajuste de foco. Como quando você está tão absorto em um filme no cinema que salta de susto, e então pisca e lembra: "Ah, estou só sentado numa poltrona." O filme continua, mas você não está mais perdido nele.


E esse reajuste transforma sua experiência do mundo de dentro para fora. Vamos a exemplos práticos:


Você está prestes a entrar em uma reunião importante. O coração acelera, o estômago embrulha. O hábito antigo grita: "Estou tão nervoso! Isso vai dar errado para mim." A identificação é total. Você é a ansiedade.


Com o check-in, ocorre uma mudança sutil, mas radical. Você nota a sensação e, por um instante, pergunta silenciosamente: "Consciente deste nervosismo, quem está?" E, ao invés de mergulhar na história, você sente o espaço onde a história acontece. A linguagem interna muda. De "Estou ansioso" para "Há ansiedade aparecendo na consciência." Veja a diferença? O "eu" pessoal, que era o protagonista do drama, deu lugar ao "há" impessoal. A ansiedade não desaparece magicamente, mas ela deixa de ser quem você é. Ela se torna um fenômeno passageiro, como uma nuvem no céu da sua presença. Essa pequena mudança de pronome é um abismo de liberdade.

Outro exemplo: Seu parceiro diz algo que você interpreta como crítica. Uma onda quente de mágoa sobe. O roteiro antigo começa: "Ela sempre faz isso. Ela não me respeita. Eu mereço mais." Você está a um passo de uma discussão.


Check-in. Um microssegundo de atenção para o espaço onde a mágoa está queimando. "Quem está consciente desta reação?" A mágoa ainda está lá, mas agora ela está no seu campo, não é mais o seu campo. Você pode respirar, e talvez até ouvir o que foi dito sem o filtro imediato do ego ferido. A resposta pode ser totalmente diferente. Talvez silêncio. Talvez uma pergunta. Mas não será uma reação automática do personagem "ofendido".


Isso é viver no reconhecimento. Não é um estado de beatitude permanente, alheio ao mundo. É uma relação fluida e consciente com a experiência. Você entra e sai do "filme" do mundo constantemente, mas agora você sabe que é o espectador. E saber disso muda tudo, sem que você precise mudar uma única coisa lá fora.


A Liberdade não é um Estado, é seu Endereço Permanente


Por fim, vamos esclarecer um mal-entendido final, o que talvez seja o maior de todos. A liberdade que Mooji aponta não é um estado de graça ao qual você ascende e depois permanece. Não é um clube vip da consciência elevada, com uma plaquinha na porta dizendo "Só Iluminados".


Pensar assim seria a mente, mais uma vez, criando um novo ideal e um novo motivo para se sentir inadequada. "Ainda não estou lá. Ainda perco a pacificação. Ainda não sou oceânico o suficiente."

A verdade é mais simples e mais radical: A liberdade não é um estado. É seu endereço permanente.


É o "você" que nunca muda de lugar, porque é o próprio lugar. A vida continua, em toda a sua glória e confusão. Os desafios não desaparecem. As perdas ainda doem. As alegrias ainda brilham. A diferença é que agora tudo isso acontece não mais contra o pano de fundo da sua identidade frágil, mas sobre o pano de fundo de uma paz inabalável que você descobriu ser a sua própria natureza. Essa paz não é uma emoção que vem e vai. É o substrato de silêncio sobre o qual todas as emoções – boas e ruins – se movem. E, por ser o substrato, não pode ser perturbada.


Então, use a última metáfora. Guarde-a.


Antes, você era como um pequeno barco de madeira à deriva no mar. Cada onda de raiva era uma tempestade que poderia virá-lo. Cada onda de medo o levava para rochedos imaginários. Cada onda de prazer o balançava em uma euforia passageira. Você era frágil, reativo, à mercê de cada movimento da superfície. Você era o barco, lutando contra o oceano.


Agora, o reconhecimento aconteceu. Você olhou para baixo, para a própria substância de seu ser, e percebeu: você nunca foi o barco. Você é a própria água. Você é o oceano inteiro.

As ondas ainda acontecem. Às vezes são tempestades violentas na superfície – um conflito no trabalho, uma doença, uma grande emoção. Outras vezes são ondulações suaves de contentamento. Mas você, como oceano, não é mais definido por elas. Sua vasta profundidade permanece imóvel, serena, impenetrável. A superfície pode se agitar, mas um metro abaixo já reina uma quietude completa. A tempestade não pode tocar as profundezas.


Você não precisa parar as ondas. Elas são a dança natural da vida. Você só precisa saber, de forma irrevogável, que você é a profundidade que as contém, e não a frágil forma que é sacudida por elas. Esse saber é a liberdade. E esse endereço – a profundidade do oceano que você é – é sua morada final. Você já está em casa. Só precisava parar de se identificar com o barco.


Então, esta é a jornada. Do fazer incessante ao não-fazer que revela. Da busca exaustiva por algo lá fora ao simples reconhecimento do que nunca esteve longe. Do pesado eu pessoal, com sua bagagem de histórias, ao leve e impessoal Ser, que é puro espaço, pura consciência.


Não é um caminho de adição, mas de subtração. Não de construção, mas de despojamento. Você não se torna algo novo. Você se despe do que nunca foi verdadeiramente você.


E o convite, lembre-se, não expira. A sala do Ser não tem horário de funcionamento. A porta não tem tranca. O porteiro não pede credenciais. O protocolo de entrada – aquele gesto radical e simples de deixar tudo do lado de fora: a mente, a história, o tempo – é sempre o mesmo, e está sempre disponível. Você pode "entrar" agora. Neste exato instante. Na verdade, o segredo mais bem guardado é este: você nunca saiu. Você apenas esteve tão absorvido no filme projetado na tela que esqueceu a si mesmo, que é a tela.

Por isso, não acredite em uma palavra do que leu aqui. A crença é outro móvel, outro conceito para carregar. Em vez disso, use estas palavras – e as de Mooji – como um convite para sua própria e única experimentação. Faça o teste. Pare por um só momento. Deixe tudo de lado. A bagagem, o projeto, a urgência. E veja. Não pense sobre o que vê. Apenas veja. Sinta. Quem fica quando tudo o que é emprestado é retirado? O que, ou melhor, Quem, sempre esteve aqui, intacto, antes do começo da busca?


A resposta não é uma palavra. É um silêncio que é plenitude. É uma paz que é poder. É o fim da busca porque você encontrou o buscador, e descobriu que ele nunca foi perdido.


Apenas seja.

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